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Archive for October of 2005

30 anos!!!

October 18, 2005
É...completarei 30 anos!!
Minha mãe diz que nasci às 10 da manhã. Portanto, no próximo sábado, às 10h, completarei 30 anos de idade. 30 carnavais. 30 primaveras. 30 verões. 30 clichês.

22 de outubro de 1975. Foi o dia em que nasci. Grande coisa!!

Meus amigos que escrevem, todos eles, fizeram ou farão relatos sobre a chegada dos 30 anos. Eu não poderia ignorar a data.

Os 30 anos insistem em bater à porta (com o perdão de mais esse clichê! Mas eu sou repórter de televisão e vivo deles, os clichês. E você sabe disso, solitário leitor)

E o que se pode dizer dessas três décadas? Quantos parágrafos a data merece?

Vai saber...

Talvez esses 30 anos mereçam um texto sobre decepções amorosas. Outro sobre conquistas. Outro sobre trepadas maravilhosas.Outro sobre trocadilhos infames. Outro sobre a viagem ao Rio de Janeiro. Outro sobre as mulheres que me odeiam. Outros sobre as gostosas que comi. Outro sobre o fim da minha virgindade na casa de Mauro Fumaça. Outro sobre Fabiane, a loira que hoje me cerca e de quem... sou refém!!(aqui mais um pedido de perdão, agora pela rima pobre).

Escrever sobre meus 30 anos é escrever sobre as bebedeiras de sempre e suas ressacas. É escrever sobre a minha infância que nunca termina. É escrever sobre a gramática e as coisas da gramática que não aprendi e não aprenderei. É escrever sobre os conselhos de minha mãe, dona Wanifreid Rocha Ferreira. É escrever sobre a paixão sabendo do que se trata.

Eles (os TRINTA) estão chegando.

E dentro deles, teve murro em ponta de faca, teve chifre em cabeça de cavalo, teve...(olha os recursos de quem não sabe escrever aí de novo...ô lôco, bitcho!!!)

Não dá pra dizer que foram uma merda esses dias todos da minha vida. Não dá pra dizer. Mas que foram, isso foram...

Eu perdi os amores fáceis. Menti como um idiota. E com as mentiras, articulei trapassas. Arrebentei corações. Dilacerei possibilidades. Joguei ácido no futuro. Cuspi em centenas (não, apenas dezenas!!!) de chances de felicidade.

Avaliar os 30...estou tentando!!

Nos primeiros 30 anos de minha vida, conheci os meus melhores amigos. Isso já é possível afirmar. Eles estão todos perto de mim. Saem comigo às quintas-feiras. Almoçam comigo onde der. Me dão conselhos. Tiram sarro do meu nariz. E não acreditam quando eu digo que sou bonito.

Aliás, os amigos merecem mais de um parágrafo. Merecem ser eternizados. Listados. Comemorados. Os meus amigos são mesmo a minha salvação. Paulo Briguet, Wagner Stochi, Julio Tanga, Jean Ribeiro, Adilson Honório, Fernando Rodrigues, Guilherme Gouveia, Janaína Ávila, Andressa Hatori. E todos os de Curitiba, os Tipos. Todos sem exceção.

Desculpem por ter colocado vocês, grandes homens e mulheres, no parágrafo que exigiu menos criatividade. O parágrafo das listas de amigos é sempre o mais fácil.

É que preciso falar da minha mais significativa conquista nesses (quase) 30 anos. João Guilherme!!! Meu filho, o lindo e cabeludo João, foi o que de mais incrível fiz em vida. Cabeludo, loiro, cheiroso, genial! João Guilherme é um colosso, apesar de palmeirense. Tem um sorriso que vai deixar perdidas todas as moças que cruzarem seu caminho. Tem a doçura do pai. Tem a perspicácia de um ser diferenciado. Dia desses, perguntei a João:

-Filho, quer uma laranja?
-Sem a casca, pai! Sem a casca!!

Enfático, merece todo um relato de puxa-saquismo paterno. Essas linhas, poucas que são, não servem para dizer metade do que é João. João é eterno. Chuta com as duas pernas. Vai ser o monstro do futebol mundial e conquistará duas Copas do Mundo para o Brasil.

Depois de João, tudo fica menor.

E dizer o resto todo é dizer muito pouco. É falar sobre uma vida boba, de um repórter besta, que sacrificou o próprio estômago com uma gastritre constante, se angustiou por nada, se entusiasmou com vaginas, orgasmos, porres, mulheres de cabelos curtos...

Dizer o resto é fazer a retrospectiva de um narigudo que nem sempre foi narigudo. A retrospectiva de um infeliz que nem sempre foi infeliz. A retrospectiva de um homem que perdeu todo o caráter e só reencontrou a metade. A retrospectiva de um homem de 30 que tem o aparelho digestivo de um homem de...55!

Dizer o resto é bobagem. É achar que, avaliando o que já passou, tudo pode ser melhorado. Que reportagens vão me dar um Prêmio Esso. Que me livrarei dos juros do cartão de crédito. Que direi chega!! para o cigarro. Que poderei fazer sexo sem perder as estribeiras. Que nunca mais transarei sem camisinha.

Mas quem garante que é possível mudar...?


Vai saber...


Rodrigues, o Nelson:

A mais tola das virtudes é a idade. Que significa ter quinze, dezessete, dezoito ou vinte anos? Há pulhas, há imbecis, há santos, há gênios de todas as idades.

In: Flor de Obsessão Org: Ruy Castro