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Archive for April of 2005

Gaveta na unha

April 25, 2005
Uma gaveta caiu bem em cima da unha do dedão do meu pé direito. É verdade!! Uma gaveta inteira, cheia de cuecas, meias e bermudas pretas.

Foi no domingo à noite. E eu estava sóbrio. Sóbrio de tudo. Mais sóbrio que o Márcio Leijoto e o Diego Prazeres em encontro do AA.

Tomei banho, fui me trocar. No que abri a gaveta pra pegar uma cueca, pimba!! Puxei com muita força e ela, a gaveta e não a cueca, desabou sobre a pobre da unha, que não tinha nada a ver com o peixe.

Doeu demais. Puta que o pariu!!! Como doeu!!!

Em seguida, unha preta e um alívio mentiroso. Sim, mentiroso!!

Pois dez minutos depois, ela começou a doer novamente...e insuportavelmente!!

Deitei, não consegui dormir. Levantei. Fumei um cigarro. Liguei no Milton Neves. Desliguei. Fumei outro cigarro. Liguei pra minha mãe. Chorei. Chorei. Pode acreditar!

Às 2h da manhã, não me restou outra saída.

Desci, peguei o carro e fui à farmácia. 17 mangos em analgésicos no cartão de débito. Voltei. Tomei.

Se dormi? A resposta é não!

A dor não foi pra pqp!! Me atormentou. A noite toda. Às 7h liguei na TV. Não dava pra ir pro trampo.

Pulei da cama, olheiras ainda mais profundas, e fui pro hospital.

Mater Dei e um cartão da Unimed, amigos! Taí uma dupla sensacional contra a calamidade da saúde pública.

Em cinco minutos estava radiografando a unha negona! E o dedão latejante também foi pra chapa.

Não estava quebrado. Foi só a pancada fatal!

Mais cinco minutos e entra pela porta ninguém menos que o Dr. Chenso.

Briguet, Tanga, Pafu, Chicó...era o Chenso, o pai da Marina!!!

Graças a Deus!

Com uma agulha ele fez dois furos na minha unha. E o sangue, até então aprisionado entre unha e carne, carne e unha, veio à tona e molhou a gaze hidrófila estéril.

Lindo esse nome, não?

Também acho!!

Chenso emitiu um atestado, recomendou higiene e o bom senso de sapatos confortáveis nos próximos dias.

Uma noite de cão, 17 reais, olheiras e um Chenso depois, a maldita da dor foi finalmente engavetada!!

Hã? Hã? Engavetada, sacou...hã? Hã?

De agora em diante tomarei mais cuidado com gavetas, com cuecas, com noites de domingo e com o excesso de sobriedade.

Reunidos, podem ser muito perigosos!

Para a minha irmã

April 19, 2005
Não gostei da sua tristeza atual. Ela nasceu de dificuldades recentes e pontuais. Detestei perceber que você não está acreditando que vai superá-las. Mas vai.

Assim como o céu de Curitiba, agora está tudo meio nublado. Mas daqui a pouco, é só esperar, tudo ficará claro. Eu sei disso. Paciência!!

Complicado mesmo ficar sozinho, se enxergar no meio do desamparo. Mas vai passar!!

Daqui de Londrina, todos os dias penso em você. Fico tentando encontrar maneiras de devolver a alegria nesse rosto cada vez mais parecido com o da mamãe.

Se pudesse, me duplicaria. Compraria uma passagem praí e lhe faria companhia. O clone ficaria por aqui, dando conta desta minha vida cada vez mais desinteressante, sem amores e paixões.

Não posso fazer isso. Não sou cientista, nem ilusionista, não faço mágica.

Se fizesse, elaboraria truques bem mais sofisticados e providenciais.

Transformaria, por exemplo, a sua rotina em felicidade integral. Faria surgir um caminhão repleto de sorrisos, de boas piadas, de companheiros de verdade, de soluções para eternos problemas. E mandaria entregar no seu endereço.

Falando em endereço, certamente você vai ter um novo em breve. Claro que vai. Se existe algo que você sempre consegue é se manter no lugar.

Recupere a firmeza. Encare a dor. E lembre-se que existe uma alegria que vai nascer daqui a alguns meses...pra nunca mais te abandonar.

E isso é ótimo, não é?

Te amo!!







April 15, 2005

Eles vão trepar

April 06, 2005
-Antigamente era só estalar os dedos e você vinha. No escritório de Relações Públicas, atrás da piscina do CEF, naquela sala do CCE, na mata ao lado da Morfologia!
-É...antigamente, né?
-E o que foi que mudou?
-Sei lá...cada pergunta!!! Como é que eu vou saber??
-Saber, você sabe!!
-Eu?
-É, saber você sabe! Eu uso as mesmas saias de que você gosta. O mesmo perfume...até aquela camisa branca, apertada no peito. Até a maquiagem é igual!
-Então!!! Não pira. Não enlouquece...
-É, mas quando começamos era toda hora. Você enfiava a mão na minha calcinha dentro do ônibus, lembra?!?
-Tudo bem, mas eu cresci!! Vou enfiar a mão na sua calcinha em qualquer lugar?? Não é assim!!
-É...mas você me implorava por aquela calcinha branca, bem pequena, de algodão....aquela que tinha um canarinho desenhado na frente. Nunca mais você pediu!!
-Ah...deixa disso!!
-Deixa disso nada. Você mudou muito!!
-Ah...sim!! Claro que mudei!
-Mudou e não quer me comer mais!!
-Como assim??
-Antes você me comia todo santo dia. A gente inventava conversa fiada pra minha mãe. Ficava horas nas escadarias do meu prédio. Só subia às 3h, 4h da manhã! Meu pai ficava puto, lembra??
-Lembro.
-Não era bom??
-Era...
-Não é mais??
-Claro que é...é gostoso!!
-Então por que é que eu preciso implorar sempre? Ontem mesmo tive que subir no seu colo. Fiz a maior farra... enfiei a mão dentro das sua bermuda...
-Pára...
-Pára? Pára nada!!!
-Ana!!!
-Ei...eu saio do trabalho, tomo banho, boto a minha menor calcinha, vou pra faculdade, venho pra cá doidinha...puta que o pariu!!
-Você tá com aquela calcinha azul calcinha?
-É!!
-Aquela que você comprou na Riachuelo??
-É!!
-Jura???
-Hã hã...
-Posso ver??
-Pode...mas aqui na sala??? E se a sua mãe acordar??
-Ela dormiu faz tempo!!
-É...mas tenho medo. Vamos lá na cozinha...a gente tranca a porta!!
-Trancar, não!! A gente só encosta. Fica mais emocionante...
-É?
-É!!
-Então “vamo”...mas tira a mão daí!
-Então tá...mas “vamo” logo. Depois a gente corre pro meu quarto, tá?
-Tá...
-Tá...??
-Tá...!!
-Gostosa...gostosa...respira devagarinho, tá?
-Tá...filho da puta!!!