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Archive for January of 2005

Ei!!! Era mentira!!

January 29, 2005
Mentira!!

Eu eu estava mergulhado em uma desgraçada crise de ciúmes.

Estou tentando pedir desculpas. Mas quanto mais eu tento...

O ideal seria apagar o post anterior. Mas estaria traindo meus poucos princípios.

Quero falar com você. E o porteiro do seu prédio sabe.

Te adoro, sua louca!!

Se cuida, por favor!!

E quanto a todas as mulheres que ofendi, agora já foi!!!

Não levem em conta um bêbado desorientado e tonto!!

Ontem, Gabi provou!!!

January 28, 2005
Não existe em Londrina uma mulher mais interessante que Gabrila Canale.

Tirando a Gabi o resto é bosta!

Com um sorriso, Gabi resolve tudo. E põe todas as outras no bolso. Inclusive você, sua burra!!

Viva a sofisticação e a beleza de uma Gabi, que é bem melhor que todas as outras.

E tenho dito...

O jornal de papel

January 26, 2005
Um dia vou trabalhar em um jornal de papel. Num desses em que as letrinhas são impressas, pretas e minúsculas. Elas, as letras, sujarão minhas mãos quando eu ler o jornal de papel.

Terei amigos mais inteligentes. E terei editorias várias. E tagarelarei que sou repórter do jornal Tal.

No jornal de papel vou dizer que ajudei a fechar o jornal de hoje. E o jornal de hoje, todos saberão, será o de ontem. E eu não estarei nem aí!!!

Um dia vou trabalhar em um jornal de papel. Nesses onde os peixes são embrulhados. E onde se embrulham também pessoas que fazem cara de peixe morto.

Ficarei mais próximo dos articulistas e das articulações. E do Caderno de Classificados. E da coluna dos leitores assíduos.

No jornal de papel serão mais frequentes as tentativas criativas. E mais possíveis os leads lendários. Vou passar a ler Cultura por Esporte. Vou fazer Política na Primeira Página.

Um dia vou trabalhar em um jornal de papel. Só eles comportam as crônicas neuróticas e neuroses crônicas. E também comportam trocadilhos safados como os da linha acima.

Aliás, serei mais disciplinado com as palavras. E menos disciplinado com as gravatas. Vou abolir a passagem, o off, o stand-up, a nota-pé. E, acima de tudo, darei fim à maquiagem que me impede de ser sócio remido do Clube Irmão Caminhoneiro Shell.

No jornal de papel vou abrir o Caderno Dois de uma só vez. E olhar de cabo a rabo. E vou fingir que entendo tudo. Afinal, serei repórter do Jornal de Papel.

Um dia vou trabalhar em um jornal de papel. E vou querer todos os plantões de domingo. Serão plantões xaropões de um jornal que não circulará na segunda-feira.

Um dia as redações dos jornais de papel terão que me aceitar. E junto comigo, a pobreza do meu texto. A indigência de minha alma. A ingenuidade que me ronda. A mediocridade que me assola.

Terão que me aceitar assim mesmo, sem saber quando é hora de ponto e quando é hora de vírgula. E quando é hora de fechar a edição.

Um dia vou trabalhar em um jornal de papel. Vou escrever uma história sem cabimento. Uma história que começará com “E”. E nesse mesmo dia serei reponsável por uma página de diagramação impossível.

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Rodrigues, o Nelson:
Entre a mediocridade e a insânia (com uma orla de gênio), prefiro a insânia

(in Flor de Obsessão org Ruy Castro)


Desculpa aê!!!!

January 21, 2005

Olha só!!
Alguém precisa me impedir de escrever nas madrugadas de quinta pra sexta-feira.

O post abaixo ficou todo “apatralhado”, como diria o Fofão!

Hoje pela manhã tive que editá-lo. Na verdade, o que fiz foi incluir frases que já estavam no texto, mas que de repente sumiram no momento em que apertei o “enter” pra postar. Devo ter feito alguma coisa errada. Claro que fiz. A começar pela merda do próprio post, né?

Peço perdão pra quem leu coisas confusas, indecifráveis e aparentemente sem sentido.

Não liguem, eu sou um retardado!

E a bebedeira junto com o cigarro me deixam zonzo. E eu acabo fazendo dessas...

É o capeeta!!

Um pouco de medo

January 21, 2005
Pra você que pediu sem medo
Pra você que atravessou um Atlântico de dúvidas
Pra você que foi e não voltou

Pra você que sentou sobre a expectativa.
Pra você que desarmou o meu desejo.
Pra você que suspirou diante da previsão do tempo

Pra você eu vou guardar um pouco de medo

O medo de espirrar na hora da novena
O medo de riscar o DVD do Los Hermanos
O medo de entrar com identidade falsa

Pra você que arrepiou os cabelos
Pra você que entende de informática
Pra você que quebrou a bunda

Pra você que nunca viu um comercial bem feito
Pra você que mora em Apucarana
Pra você que tolera as pauteiras de cabo a rabo
Pra você que vai torcer pra Argentina

Pra você eu vou guardar um pouco de medo

E se a Hebe me convidasse?

January 12, 2005
Um dia vou ser convidado para o programa da Hebe. Vou sentar naquele sofá e dizer tudo!

Vou falar dos telefonemas que recebo. E das ligações perigosas. Vou dizer que não acredito nas suas mentiras. Vou ver a fumaça e relatar tudo ao Corpo de Bombeiros.

Vou ser interrogado pelas produtoras idiotas. E vou contar sobre os meus conflitos com a obsessão. Vou avisar que conheço as piores piadas. E que já presenciei sorrisos absurdos.

Vou confessar que não conheço análise sintática. E vou atropelar as regras da rotina e da gramática. Vou buscar um parceiro de dominó. E vou comprar sem receita médica.

Vou dar uma de decorador de ambientes de pessoas. Lúcido, vou dar uma de bom!

Vou adiar a abertura dos envelopes. Numa licitação de cartas marcadas, vou fingir que não vejo a merda de sempre.

Vou dizer que acredito nos assessores de imprensa. E nas promessas de campanha.

Vou dar prioridade.

Prioridade ao jogo de cena; prioridade as tarefas impossíveis; prioridade à bobagem que chamam de leitura dinâmica.

Se a Hebe me quiser em seu programa...

Não pedirei licença pra tossir. E vou fazer algumas cagadas. E vou errar nos pontos e nas vírgulas. Vou renegar bandas consagradas. E surtar com o cheiro de programa de auditório.

Ah... se me convidarem pro progranma da Hebe!!

Vou estrangular o óbvio na frente das câmeras. E dar mole pra uma página na Contigo!

Vou vislubrar um futuro diferente. E vou apagar o passado que não me faz crescer.

Se a Hebe me convidar não irei sozinho.

Levarei um dossiê que trata das minhas causas impossíveis. E dentro do dossiê, fotos digitais da minha falta de caráter.


Se a Hebe me convidar...

Vou ter que pensar muito. E pensar muito em nada. E pensar...

Pensar e encerrar com um clichê. Talvez eu encerre com chave de ouro, fazendo merchandising do Nada.

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Rodrigues, o Nelson
Toda coerência é, no mínimo, suspeita






E EU, QUE NÃO SAIO DESSA!!

January 09, 2005
Eu queria me livrar disso tudo e correr para os braços da minha mãe.

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Em casa, sozinho, ando angustiado. Preciso de alguém por perto. Só assim vou ficar envergonhado e não chorar.

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Não vejo a hora de tirar a dor de dentro do peito. É...essa dor chata, que aperta, que toma conta sempre. E que eu não consigo administrar

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Será que um dia eu vou poder pisar firme no chão, andar seguro pelas ruas e corredores? Será que um dia eu serei mais macho a ponto de dizer CHEGA!!!???

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Quero parar de torcer contra mim mesmo. Quero fazer como o Tanga, que me disse:
-Eu não permito a presença do sofrimento!

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Queria viver eternamente a sensação de passar no vestibular; de trocar sorriso com a vendedora linda da M.Officer; de receber um telefonema daquela moça que foi minha dentista em Maringá; de tomar uma cerveja bem gelada numa sexta-feira, véspera de folga de fim de semana.

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Estou diante de alguns absurdos. O absurdo de implorar por atenção. O absurdo de fingir não enxergar que estou recebendo mínimas contrapartidas.

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Minhas mãos estão suando. Apavoradas, se esfregam umas nas outras. E tudo seria tão fácil se tivesse a dignidade de dar um passo. Só um passo me tiraria desta situação.

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MEDO é a palavra mais desgraçada que já inventaram. MEDO é o sentimento mais presente na minha rotina.

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Eu queria descobrir de onde vem tanta angústia. Eu queria saber de onde vem o talento do nutricionista que alimenta a minha ansiedade.

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Eu queria ser jogador de futebol. E ser o dono do meu próprio passe. Escolheria um time lá na Rússia. Iria embora para uma temporada eterna.

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Tem uma moça que me liga de vez em quando e diz que foi engano. Ela se chama Beatriz. Tomara que Beatriz esteja feliz.

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Fui assaltado. Me levaram a coragem, a força, a saúde mental, a autoestima e 140 sorrisos.

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Coitado do meu travesseiro! Reviro tanto na cama que ele também não consegue dormir.

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Jana Ávila, posso te pedir umas coisas? Me liga algumas vezes no dia. Me faz sorrir um pouco. Me faz sair deste mundo por alguns segundos. Compra pra mim um envelope de alívio, vai!

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Eu gosto muito dos meus amigos. Queria devolver a eles o Marcelo que parece intocável às quintas-feiras. Queria trazer de volta aquele Marcelo, que vendeu a alegria a preço de banana.

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Preciso fazer dos próximos sete dias uma semana menos terrível. Quero chorar menos e rir mais. Quero ser mais otimista e menos pessimista.

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Quem inventou a Repetição?

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Quero acreditar que logo logo encontrarei uma moça bem charmosa e interessante pra namorar. Pra dizer coisas legais. Quero sorrir com ela quando parar no sinal vermelho. E tomar uma cerveja em sua companhia de vez em sempre. E ficar com o coração sossegado.

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Eu não sei mais o que fazer!


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Rodrigues, o Nelson
Não há nada mais relapso que a memória. Atrevo-me mesmo a dizer que a memória é uma vigarista, uma emérita falsificadora de fatos e de figuras.

(in Flor de Obsessão org Ruy Castro)

Onze anos em vinte minutos

January 04, 2005
Hoje pela manhã estive no colégio onde fiz cursinho pré-vestibular em 1994.

O lugar é totalmente diferente agora.

Luzes chiques, novas edificações, computadores avançados que avançam por todas as salas.

Diante de uma dessas máquinas de último tipo, na recepção, uma linda moça. Cabelos louros e olhos incríveis que tentaram me esconder centenas de mistérios.

Mas a moça acima foi só um dos ingredientes que fizeram parte da visita ao Maxi.

Enquanto esperava o repórter cinematográfico captar as imagens do presente, fui literalmente tragado daquele corredor. A caminho do passado.

Voltei aos corredores desses onze anos. Como uma retrospectiva de fim de ano na TV, revivi fragmentos de uma etapa da minha vida que começou justamente ali.

Foram vinte minutos. Não mais que isso.

Suficientes para relembrar as aulas da Estela e do Dilson; as histórias do Godoy; as cadeias de carbono do Pardal.

Trouxe de volta até uma menina por quem quase enlouqueci, pra variar. Chamava-se Magda. Nunca olhou pra mim. Não conheci nem o timbre de sua voz.

Aquele colégio foi só o começo de uma das minhas vidas.

Hoje, entre os corredores e salas cheios de modernidades e garotinhas, enquanto esperava o cinegrafista, voltei no tempo das coisas que fiz e das que não fiz.

O início da faculdade, os novos amigos. A realidade tão desejada, tão nova, tão excitante!

Foram muitas paixões e ódios. Muitas desilusões e erros. Muitas conquistas, sorrisos e tristeza. Tudo revisitado sem um esforço mais elaborado. Tudo muito fácil e latente.

O cursinho se foi, a faculdade também. Formado, já são cinco anos no tal mercado de trabalho (essa é boa!)

Para a lida profissional diária, até que aprendi algumas coisas. Faço telejornalismo, que é o jornalismo mais fácil entre os jornalismos. Dizem que me saio bem. Até já me confiam tarefas de alguma responsabilidade.

Mas quando o assunto é crescer, pra vida mesmo, conquistei tanto quanto o Rubinho Barrichello!

Continuo imaturo, ansioso, inseguro, desatento, desinteressado. Apanho das dificuldades até o 15º assalto. Choro pelos cantos a cada duas semanas. Me desvalorizo na velocidade da luz. E o pior: conscientemente.

Não ouço as dezenas de conselhos das dezenas de grandes amigos. Amigos que aliás são bem mais interessantes que eu.

Tomara que daqui onze anos, quando eu entrar de novo em um cursinho, não só os computadores e corredores sejam novos.

Tomara que a minha biografia tenha feito um upgrade! E que o acesso à felicidade seja DSL.

Por enquanto, está sendo discado, lento. Isso quando não dá ocupado.

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Rodrigues, o Nelson
A mais tola das virtudes é a idade. Que significa ter quinze, dezessete, dezoito ou vinte anos? Há pulhas, imbecis, há santos, há gênios de todas as idades

Não vou escrever

January 02, 2005
Eu escreveria hoje um novo post.
Mas não vou escrever nada.
Sinal de protesto contra a minha idiotice sem fim.
Contra essa mania besta de esperar por você e...

Nada!