Vou brincar com a angústia que veta tudo
Com a alegria sempre eventual
Com a tranquilidade de um tapete no chão
Com a beleza do casal Fernando e Simone Saris
Vou sambar ao som do Furacão 2000
tomar banho na bacia das almas
complicar um problema de adição
Vou maltratar uma aposentada
beber um vinho da Adega Perfumada
apertar o botão da Qualidade Total
Vou comprar o ingresso no fim do show
gostar mais de água de côco
alardear que sou candidato
Vou dar um chute com os dois pés
cortar a fita com as duas mãos
lançar moda com duas caras
Vou perder o mando de campo
jogar água no verde que nunca será verde
liberar as impossibilidades
Vou escrever algo que ninguém esqueça
recuperar a caneta de tinta verde
ler com os olhos de alguém que entenda
Vou atravessar a rua de olhos abertos
esculhambar a minha própria burrice
mastigar as garfadas 38 vezes ou mais
Vou seguir o conselho da Penelope de Santo André
publicar as cartas que estão na manga
aplaudir o meu fim de semana
Vou abolir os pontos e as interrogações.
ameaçar de morte os tempos e os verbos
viver apesar da gramática e da ortografia
Vou, enfim, esquecer o pretérito imperfeito
Vou sim
Vou
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Rodrigues, o Nelson:
Sou um grato cínico. Se me fazem um agrado, se me dão um sorriso, ou um aperto de mão mais profundo, eu me tomo de uma dessas gratidões totais
(in Flor de Obssessão org Ruy Castro)
Publicado em 18 de outubro de 2004 às 00:47 por mrocha