Por duas vezes nesta semana fui para o estúdio apresentar o jornal. Antes, passei maquiagem. Base líquida, pó, corretivo nos olhos.
Em poucos segundos, consegui tirar do rosto as manchas de sol e de adolescência. Manchas que, sem os recursos da indústria dos cosméticos, são rapidamente notadas.
Foi fácil. Quem dera fosse sempre fácil me livrar do que não quero ver ou sentir.
Nem sempre dá.
Não consigo pegar a ansiedade, tirar do peito, botar na gaveta e jogar as chaves no Igapó. A angústia volta e meia me cerca. Inconveniente, me puxa pelo braço. Cruel, me assusta quando cochilo. Ameaçadora, diz que vai me pagar no portão de saída.
A indecisão então, nem me fale! Chega, encosta, dorme, acorda, ri, chora...e não vai embora. Em certos momentos, aparece para uma visita e permanece meses. E as minhas pernas ali, tremendo! As mãos suando, a cabeça estourando. A indecisão é implacável comigo.
O medo, esse já mora aqui em casa. Não me autoriza a nada. Gritar? Ele não deixa. Respirar? De vez em quando. Sorrir? Só no ano que vem. E de dois em dois minutos, o medo faz terror:
-Quietinho aí ou te dou uma surra tão grande que você não vai ter forças nem pra acender a luz do quarto escuro.
Tem também a covardia. Já implorei pra que ela vá embora...nada!
Ela finge que não ouve! Pior: de vez em quando se esconde, se finge de coragem. Aí tomo atitudes, anuncio mudanças radicais, digo o que penso, uma beleza...
Mas ela volta. E me corrompe as atitudes, revoga as mudanças anunciadas, censura meu pensamentos, uma desgraça...
A covardia é a minha companhia mais prejudicial. Ou me livro dela ou a ansiedade, a angústia, a indecisão e o medo vão acabar me impedindo de viver.
E se não vivo, perco tempo. Não amo, não relaxo, não conquisto, não ouso. E se não faço isso tudo, só fica a tristeza, que vai e volta, vai e volta...
Ah, um recado pra VOCÊ, leitora fundamental:
Não se preocupe. Como afirma o título do post, agora de manhã já estou melhor e trabalhando. Tô morrendo de saudades, tá? Me liga, agora, pra dizer:
-Oi, Má! Tô triste e com sono! Tudo bem?.
Figuraça!
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Rodrigues, o Nelson:
Todo grande homem tem que ser, obviamente, obsessivo. Não sei se me entendem. Mas o “grande homem” é a soma de suas idéias fixas. São elas que o potencializam
(in:Flor de Obsessão org: Ruy Castro)
Publicado em 16 de setembro de 2004 às 00:49 por mrocha
abraços. legal te encontrar ontem!