Muito já se falou sobre os porteiros. E também sobre guardanapos. Para mim, todos os porteiros deveriam se chamar Honorato.
Lucio Flávio Moura sustenta que todos os porteiros são santistas.
Mas é preciso contar uma história sobre o porteiro do prédio onde moro. O porteiro do prédio onde moro atende pelo nome de João. João não é Honorato.
João me pediu as chaves do apartamento pois poderia haver um vazamento de gás. “Ajuda especializada”, disse. Não deixei as chaves. Não precisava do gás.
Mas o João deu um jeito. Preste atenção.
Eis que na sexta-feira retrasada, com pressa, surpreendi João, o porteiro. Saí da emissora às 12h. Almocei às 12h40. Cheguei em casa às 13h. Correria total, precisava das minhas malas para ir ao aeroporto. O plano era Curitiba. O vôo era às 15h.
Mas às 13h, ainda em Londrina, abri a porta do apartamento. E, verdade inapelável, João estava lá!
João abriu a porta do meu apartamento com ajuda de um chaveiro. Sob o pretexto da preocupação com o vazamento, ordenou o estupro da fechadura. Mas João fez mais.
Os homens do gás foram embora e ele ficou. Dentro do apartamento, folgado no meu sofá azul!!! Lá estava João que passou a ser Honorato. E com ele, ninguém menos que uma mulher. Uma mulher feia. E com a mulher, uma lata de Brahma. E sob a lata, um guardanapo.
João, a mulher feia, a Brahma e o guardanapo. Estavam todos no meu apartamento sem a minha permissão.
Espantado, não disse um “A”. Fui ao meu quarto, guardei minhas camisas, administrei a invasão de privacidade. Covarde, não peitei João. Omisso, não fiz perguntas. Apressado, afinei.
João, que não é condômino, atropelou o regimento. Passou por cima do direito privado. E quando o vi ali, diante de meus olhos, sobre o meu sofá azul, com a “sobrinha” segurando a lata, e sob a lata o guardanapo, tive a nítida impressão de que o porteiro de meu prédio tinha o propósito de comer a mulher feia ali, na minha sala também azul.
“É minha sobrinha, passou mal e veio pra cá, tadinha!”. Esta foi a frase de João me supondo idiota.
E sou mesmo. Não tomei providências. Não chamei o síndico. Não fiz gritaria. Não corri distribuindo rabos de arraia no atacado.
Viajei. Contei o caso para Silvia e amigos na capital. Eles indignaram.
Voltei para Londrina. Contei o caso para Briguet e Preto. Surpresa, gargalhadas e indignação.
Por isso, atrasado, resolvi fazer algo diante do ocorrido. Só não sei ainda qual atitude tomar.
Por enquanto, só veio a crônica. O próximo passo talvez seja o advogado.
Um guardanapo, por favor!
Isso tudo é a mais pura expressão da verdade. E dou fé.
BRodrigues, o Nelson:
O ódio é, sabemos, muito mais voluptuoso do que o amor
Publicado em 04 de setembro de 2004 às 11:25 por mrocha
não mais o cumprimente.
e na hora anterior a sua demissão, ofereça-o uma latinha de skol (porque Brahma ninguém merece!) com um guardanapo.
abraços