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Archive for August of 2004

A tal lista fatal!

August 26, 2004

Vou escrever sobre tudo
Sobre a caneta que não tem mais tinta
Sobre uma lista interminável

Vou escrever sobre tudo
Sobre talentos que foram calados
Sobre o emprego que foi embora

Vou escrever sobre tudo
Sobre a gramática que ficou sem regras.
Sobre o parágrafo que ficou sem dono.

Vou escrever sobre tudo
Sobre uma redação vazia
Sobre um caderno que quase não sai

Vou escrever sobre tudo
Sobre encontros impossíveis
Sobre contos intermináveis

Vou escrever sobre tudo
Sobre a pedreira do cotidiano
Sobre o que poderia ser mais digno

Vou escrever sobre tudo
Sobre o absurdo diário
Sobre a paz que não dá paz

Vou escrever sobre tudo
Sobre a falta de Janaína
Sobre a falta de todos os outros

Vou escrever
Vou escrever
Sobretudo.

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Rodrigues, o Nelson:
Chegou às redações a notícia da minha morte. E os bons colegas trataram de fazer a notícia. Se é verdade o que de mim disseram os necrológios, com a generosa abundância de todos os necrológios, sou de fato um bom sujeito.

Marinete foi embora!

August 21, 2004

Dispensei a minha diarista na última quinta-feira, pouco antes da QSL. Ela desligou a geladeira e destruiu tudo que estava lá dentro.

Esquentou a cerveja, azedou o leite, o iogurte, um salaminho que eu tinha comprado. Até as duas fatias de queijo prato, que estavam escondidas havia dois meses, ela jogou fora sem que eu mandasse!

E mais: não lavou o banheiro. Só passou pano!!! Não existe essa de passar pano em banheiro!!

Ah!! Também pedi pra ela limpar as janelas, tirar o pó dos móveis, organizar o armário da cozinha...nada! Sei não...acho que a Marinete chegou e, em vez de pegar no batente, ficou vendo um filminho pornô que eu tinha locado.

Sei que Marinete precisava do dinheiro, tudo bem! Mas eu também preciso do meu apartamento limpo. Bem limpinho, limpinho mesmo, tá?

Por isso, estou procurando uma nova diarista.

Não sou tão exigente. Só que não pode folgar, né? Se for organizada e caprichosa, belê!!!!!

Não faço restrição de idade. Pode ser novinha, vovó, titia...sem crise, ok?

Preço a combinar.

Você, leitor e amigo (tipo ou não), que tem o meu telefone, passe para as candidatas. Não vou deixar o número no blog porque...já viu, né?

Tem que ser logo. Sabe cumé, a bagunça tá tomando conta do apê do Rocha!!!

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Rodrigues, o Nelson:
Não reparem que eu misture os tratamentos de “tu” e “você”. Não acredito em brasileiro sem erro de concordância

Os telefones celulares

August 19, 2004
Os telefones celulares deveriam se encontrar num Simpósio Mundial, na Liga das Nações, em Davos, em Porto Alegre.

Os telefones celulares deveriam organizar piquetes, convocar assembléias, fazer listas de reivindicações, ocupar gabinetes ministeriais, repartições públicas, terras produtivas, a fazenda do Presidente da República. Deveriam exigir carga horária reduzida, vale-refeição, descanso de quinze minutos.

Deveriam exigir, acima de tudo, descanso noturno.

Poderiam parar todos implorando por diálogos mais produtivos, por frases mais calorosas.

Gostaria que os celulares fossem mais corajosos.

Os telefones celulares deveriam entrar em greve por melhores palavras.

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Rodrigues, o Nelson:
O amigo é um momento de eternidade

E se todos fossem muito educados comigo?

August 17, 2004
Se não houvesse grosserias nos estacionamentos, nem nas lojas de departamentos, nem quando desaparece seu documento? Eu adoraria. Se me tratassem sempre com educação, ou com um pouquinho dela, seria jóia.

Nem sempre dá pra manter o humor. Nem sempre dá pra manter as estribeiras. Mas é preciso tentar. É preciso tentar com força. É preciso lutar para não magoar. 24 horas por dia.

É preciso um cursinho ministrado por Janaina Ávila, coordenado pelo Ranulfo Pedreiro. O nome seria “Quer ser educado, atencioso e amigo? Pergunte-me como”.

Quem não sabe atender a um telefone deveria deixar pra quem sabe. Quem não sabe fazer um carinho deveria aprender. Quem não sabe acalmar alguém, também. E quem não aprende isso tudo merece ficar pra segunda época.

Só os idiotas completos ignoram a importância de uma gentileza. Uma não-gentileza é eterna.

É só!


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Rodrigues, o Nelson:
Num casal, pior que o ódio, é a falta de amor.

Uma QSL e dois Palhaços

August 13, 2004

Uma pizza é tudo!!
Manjericão então, nem se fale...

Ei, Menina de Amaralina, você já avistou a felicidade?

Não? Tenho óculos para te emprestar.

Sem Skank, sem o Dinho Ouro Preto, sem pagodes imperdoáveis, sem a música de trabalho, sem o calouro perdido numa tarde de Raul Gil, ok?

Só vale a Canção Possível. Só a Canção do Agora!!!

Entre paredes azuis, fotos de João Guilherme, contas de telefone, comprimidos de Engov e Neosaldina. Entre as suas roupas verdes e as minhas azuis. Entre a persiana de sempre e claridade das 7h30!

Entre tudo e todos está você.

Vamos tocar o barco. Sem medo de telefones na Hora H. Sem medo de telegramas no Dia D. Sem medo do Ministério Público. Sem medo do público e de qualquer mistério. E como diria Lucio, sem medo de bêbados e troianos.

Sem medo, vamos brigar pelo possível. E fingir que às vezes é impossível!!

Mas só fingir, ok?

Vamos finalizar as más línguas. Vamos acreditar em mitos. Vamos dizer que está tudo bem!! Vamos?
Vamos raspar o tacho, pregar novos dormentes, reformar os trilhos. Vamos ganhar!!

E que a felicidade que está chegando não vá embora. E que a tristeza que está indo embora tenha uma boa acolhida...bem pra lá de Bagdá!

Nossa! Bêbado, sou capaz de um texto como este!! Perdões, mil perdões!! Mas agora jabs!!

** “Rodrigues, o Nelson:” deste post é uma homenagem a duas figuras que roubaram a cena de uma QSL. O Briguet cansou dos dois. Eu e Lucio não cansamos. Rimos muito, ok?
E a propósito:
- Estes flashs é que me complicam!!

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Rodrigues, o Nelson:
O boteco é ressoante como uma concha marinha. Todas as vozes brasileiras passam por ele.






Antes de dormir, ok?

August 12, 2004
Há quem diga que meus últimos posts são só derrota. São mesmo. É que não sei redigir a crônica da felicidade. Lamento. Para os insatisfeitos, uma dica: cliquem em outro blog.

De uns tempos pra cá, sobra inspiração pra catástrofe. E falta talento e vontade pra relatar o sorriso fácil. É que falta inclusive o sorriso.

Mas a última noite foi diferente.

Graças a Deus!

Fui ao evento do Bozelli. Tava chato. Mas lá estavam Lucio e Galão. E ambos me convenceram do óbvio.

E o óbvio era o Valentino. Antes fui ao Bar Brasil. E vi o meu time vencer o Vasco. Pronto.

Depois? Depois o óbvio de novo...Valentino!

Tomei cerveja gelada, dancei com os meus amigos ao som de Cuba. Minha amiga Fabiola me viu e ficou feliz e bêbada. Gosto de ver Fabiola bêbada e feliz.

Encontrei J. Bernardo, Leijoto, Diego Prazeres, Janaína Ávila. Encontrei Fábio Galão e Lucio Flávio. Encontrei uma bebida diferente. E tomei.

Encostei no balcão. Fui ao banheiro. Encostei no balcão. Fui ao banheiro.

E entre balcão e banheiro, banheiro e balcão, raciocinei longe do incômodo da sobriedade. E não cheguei a nenhuma conclusão.

Nota ao leitor : este post, publicado originalmente em 12 de agosto de 2004, às 3h58, foi modificado em 19/08, às 00h18.


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Rodrigues, o Nelson:
Está se deteriorando a bondade brasileira. De quinze em quinze minutos, aumenta o desgaste da nossa delicadeza



Queria...

August 10, 2004
Eu queria um controle remoto repleto de possibilidades
Definir prioridades
Escrever sem estar de porre

Eu queria aprender a falar de tudo
As aulas da Tia Suzana de novo
O cheiro das manhãs de 1982

Eu queria entender todas as brincadeiras de mau gosto
Ser amigo do Paulinho da Viola
ser um craque não só no futebol de botão

Eu queria ter camisas escolhidas não por mim
Quatro verões por ano
Muitos dias de folga

Eu queria o meu avô de volta, hoje!
Uma gargalhada de quinze em quinze minutos
Uma saída de emergência

Eu queria viver de 1995 a 1999 de novo
Ouvir canções ruins e rir delas todas
Jogar truco no Centro Acadêmico

Eu queria passar as férias na casa de alguém legal
Os amigos de Cascavel em Londrina
Os amigos de Londrina aqui mesmo

Eu queria uma ação direta de inconstitucionalidade
Um salvo-conduto
Um habeas corpus preventivo

Eu queria saber mais sobre tudo
Ter mais gentileza nos atos
Ter mais luz pra iluminar

Eu queria minha mãe absurdamente feliz
Minha irmã mais aqui
Meu filho João jogando bola

Eu queria tanta coisa!

E entre tantas coisas, queria ter uma surpresa agradável.
E a surpresa seria você pronunciar numa ligação telefônica a frase fatal. E a frase seria:

-Te amo! E pode esperar: vamos ficar juntos pra sempre!

Isso sim, eu queria! Ah...como eu queria...

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Rodrigues, o Nelson:
Os que choram pouco, ou não choram nunca, acabarão apodrecendo em vida.



Uma noite

August 05, 2004
Uma noite é saber que ela vem
É evidenciar interesse
É descobrir: vai ser ótimo

Uma noite é comprar um Concha Y Toro
É tomar no Paraguai
É tomar no Chile, de noite

Uma noite é ter duas taças de cristal duvidoso
É derramar no travesseiro
É rir das próprias aventuras

Uma noite é descobrir o sofá azul
É ridicularizar o resto
É impressionar alguns

Uma noite é bater com a cara na porta
É negligenciar
É bater com a cara de novo

Uma noite é acreditar que é possível
É se vestir como um feliz
É comprar uma briga

Uma noite é sair com ela
É dizer não
É revisitar o impossível

Uma noite é jogar os dados
É não cumprir tarefas
É olhar para o lado e fazer assim mesmo

Uma noite é o absurdo
É o erro
É a piada com graça

Uma noite é inaugurada às 19h40
É brincar de sedução
É insistir com os mesmos dados de antes

Uma noite é o estudante
É o formando
É a colação de grau dia 27

Uma noite é um Marcelo que não é Marcelo
É alegria total
É a vida valer a pena

Uma noite pode ser inesquecível!


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Rodrigues, o Nelson:
A mim, nenhum milagre espanta. O que me espanta, inversamente, é o não-milagre